Bancos fecham 17.711 vagas: parte do saldo negativo provém do PADV da Caixa

Por APCEF/MG
Arquivo
3 de janeiro de 2018

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O sistema financeiro nacional fechou 17.711 postos de trabalho entre janeiro e novembro de 2017, segundo a Pesquisa de Emprego Bancário (PEB) divulgada nesta terça-feira (2) pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT), que faz o estudo em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base nos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.

O saldo negativo foi 53,7% superior em relação ao mesmo período de 2016, sendo que grande parte desse resultado foi provocado por Planos de Aposentadoria e Desligamento Voluntários (PADVs), implementados notadamente pela Caixa Econômica Federal e pelo Bradesco em meados do ano passado.

Os estados mais impactados pelos cortes foram São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro, com registro de fechamento de 5.186, 2.965 e 1.969 vagas, respectivamente. Apenas a Paraíba apresentou saldo positivo no emprego bancário, com 74 postos abertos no período. O Acre teve o saldo zerado e os demais estados apresentaram saldo negativo no período.

A análise por Setor de Atividade Econômica revela que os “bancos múltiplos com carteira comercial”, categoria que engloba instituições como, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil, foram responsáveis pelo fechamento de 10.541 postos entre janeiro e novembro de 2017. A Caixa respondeu pelo corte de 6.878 postos no mesmo período, em função de novo PADV implantado em julho de 2017.

Para o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, “os bancos que estão fechando postos de trabalho prejudicam a categoria bancária, pioram o atendimento dos clientes e da população e não contribuem para o crescimento econômico e social do país com emprego e distribuição de renda”. Essa situação, segundo ele, funciona também como um sinal vermelho para a classe trabalhadora, para que intensifique a luta contra as mazelas perpetradas pelas políticas neoliberais do governo ilegítimo de Michel Temer.

Afirma Jair Ferreira: “É urgente e necessário que o único banco 100% público do país reponha as vagas dos que estão saindo. Com a saída de mais de seis mil empregados e a falta de contratação, sobra um dia a dia de sobrecarga e adoecimentos nas unidades de todo o país, situação que tende a se agravar com as políticas do governo federal contra o patrimônio público. Vamos intensificar a luta contra o enxugamento da empresa”.

Para ele, é preciso intensificar em 2018 a defesa da Caixa 100% pública e sua importância na execução de políticas sociais. E acrescenta: “A política de corte de postos de trabalho reforça a intenção de enxugar o banco e prepará-lo para a privatização. Essa redução, gradativa e desmesurada, compromete ainda mais a qualidade do atendimento já bastante precário nas agências”.

Faixa etária

O estudo da Contraf/CUT – Dieese aponta que a extinção de postos de trabalho nos bancos atingiu, principalmente, trabalhadores na faixa etária entre 50 a 64 anos, com fechamento de 15.101 vagas. Esse dado é indicativo do resultado dos PADVs, anunciados em julho pela Caixa e pelo Bradesco, por se destinarem a bancários aposentados ou em vias de se aposentar. Os bancários mais jovens, faixa etária entre 18 a 24 anos, representam a maioria dos empregos criados (7.317 postos).

Desigualdade entre homens e mulheres

A PEB mostra também que as mulheres, ainda que representam metade da categoria, permanecem sendo discriminadas pelos bancos na sua remuneração, ganhando menos do que os homens quando são contratadas. Essa desigualdade segue ao longo da carreira, pois a remuneração das mulheres é bem inferior à dos homens no momento em que são desligadas dos seus postos de trabalho.

Os dados revelam ainda que, entre janeiro e novembro de 2017, as 11.412 mulheres admitidas nos bancos receberam, em média, R$ 3.460,78. Esse valor correspondeu a 71,8% da remuneração média auferida pelos 11.763 homens contratados no período. Constata-se, também nos desligamentos, a diferença de remuneração entre homens e mulheres. As 21.071 mulheres desligadas dos bancos recebiam, em média, R$ 6.525,09, o que representou 76,9% da remuneração média dos 19.815 homens desligados em igual período.

A Fenae entende que essa absurda discriminação é totalmente inaceitável e reforça ainda mais a mobilização da categoria por igualdade de oportunidades na contratação, na remuneração e na ascensão profissional.

Fonte: www.fenae.org.br

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