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Divulgado nesta quinta-feira, dia 4 de março, em Brasília, o relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que a desigualdade entre os gêneros é uma das marcas do mercado de trabalho no Brasil, servindo, muitas vezes, de fonte de exclusão social. O estudo tomou por base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2008 e foi revelado às vésperas das comemorações dos 100 anos do Dia Internacional da Mulher, que será celebrado nesta segunda-feira, dia 8 de março.
O levantamento atesta que o desemprego entre as mulheres é ainda superior, quando comparado ao índice dos homens. Cerca de 19% delas estão fora do mercado de trabalho, enquanto no universo masculino esse número só chega a 10,2%. As mulheres, sobretudo as negras, percebem rendimentos mais baixos que os dos homens, apesar de, em média, terem níveis de escolaridade mais elevados. Elas, inclusive, segundo a OIT, são vítimas do problema da segmentação ocupacional, que limita seu leque de possibilidades de emprego. Muitas vezes, a dificuldade das mulheres em se colocar no mercado de trabalho é motivada pelo preconceito.
Os números apontam que, em 2008, das 97 milhões de pessoas acima de 16 anos presentes no mercado de trabalho brasileiro, as mulheres representavam cerca de 42,5 milhões (43,7% do total). No mesmo ano, de acordo com o levantamento da OIT, as mulheres sofriam mais com o desemprego que estava em 10,8% entre as negras e 8,3% entre as brancas. Entre os homens, o índice chegava a 5,7% para os negros e 4,5% para brancos.
Desigualdade em relação aos homens também está presente na quantidade de mulheres com carteira assinada e quanto aos rendimentos. Uma média de 23,5% delas ganha menos de dois terços do rendimento mediano real. Entre os homens, esse percentual cai para 15,5%. No que se refere à qualidade do emprego, metade dos homens empregados no país, em torno de 51,6%, se encontram em alguma atividade formal, enquanto as mulheres não superam os 46,7%.
O estudo da OIT mostra que o número de mulheres à frente das responsabilidades familiares aumentou para 34,9% em 2008, quase dez pontos percentuais, se comparado a uma década atrás, quando elas representavam cerca de 25,9%. A pesquisa diz que a mulher tem jornada total, somando a função de doméstica com a de profissional, cinco horas maior do que os homens – 57,1 horas contra 52,3 horas semanais, apesar de profissionalmente elas trabalharem mais: 42,7 horas contra 34,8 horas semanais. Domesticamente, a mulher tem uma jornada bem maior do que os homens: 9,2 horas contra 20,9 horas, também por semana.
Empregada doméstica é a atividade remunerada com menos valor no mercado. O levantamento da OIT revela que apenas 26,8% das profissionais com essa ocupação têm seus direitos trabalhistas garantidos. Entre as mulheres negras, o número cai para 24% do total. No Brasil, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho, uma a cada cinco mulheres negras inseridas no mercado atua como empregada doméstica, genericamente denominada de “secretária do lar”. |